Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

A E-BOLIÇÃO (Á ZANGA) [cel bentin]

Além da folia insinuada de butiás à lingua das vistas (da borracharia aos calendários), rebole aquele outro oito - deitado - o corpo só da gente;

entre o adiamento e o perdão.

Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

P.S.: DESCULPE A DELICADEZA (cel bentin)

Havia sido intimado - chamado a depor mesmo - ainda antes do contágio da contravenção no se-acontecer."Esse mundo de razão & tecnologia finge que bebe lógica, pensa que se adianta; mais se atrasa de invenções", resmungou ao entrar.

Olhou o por volta sem se fazer surpreso. Meticuloso de inutilidades, sentou e se acomodou naquela espécie de quarto escuro, que destacava firmezas num facho avulso de lanterna (iluminura, como preferiria dizer).

De modo inédito - e ele adorava isso -, já sabia: todo o entorno prosseguia ainda existindo, e para ser afetado àquela maneira; a subversão nasceria dez vezes gêmea do relato: somente ao dar-se luz às palavras que procuravam, guardadas em dom dissimulado de intimidação.

Enquanto o policiamento (curioso e ideológico?) era tentado e o atentava , outros cúmplices, invisíveis aos de dentro da sala (estes poucos até, que cercavam o de.poente como que vestidos de preto), velados de alheio, se deliciavam - estavam por detrás da face do espelho, essa placa onde todos se veem, refletindo, com certo dom de estranheza.

A essa altura, tudo era tarde demais (alguém já teria notado?): algo já tombara de azul diante da lanternação sozinha e daquele negro ver de ouvir. Era a logicidade se desfazendo confessa. Frouxa de razoabilidades cartesianas, a desfiar à vista do de.poente, ela já fazia trama de finezas aos pés do que lhe assistia.

Foi quando se levantou. Sem corcova de certeza alguma, reconhecido que se fazia do ofício integral exercido há tanto, crônico contagioso que era como a fome incompleta..Abraçou Bernardo e partiu junto à absurdez da voz. Ninguém mais ali, no cinema, discernia o ter cabimento: espelho algum mais se cabia.

"Não há algema fracional ou largura de fascínio que me compote.Este quarto escuro descobriu antes de revelar: sofremos todos duma transvisão coletiva e particular, e reconhecemos: SÓ DEZ POR CENTO É MENTIRA." - era a assinatura de seu depoimento:
"P.S. Desculpe a delicadeza."

Sexta-feira, Janeiro 22, 2010

ARQUITEXTO FINTA (cel bentin)

a ruy villani

qual boemia a sina
à mão que artigas(?)

Domingo, Janeiro 10, 2010

CORRIDINHO A CAMINHO (cel bentin)

(..)usa o correio
o correio trapaceia(...)

Adélia Prado

bento sem asas,
balas sem presa,
bula sem marcas:
butiás cem novenas.

a legenda que falta
descala e blasfema
- maçãs não têm alças! -;
é evangelho sem letra.

a calda das vistas
à bênção da senha
purga transparente

endecaídas surpresas.


Sexta-feira, Janeiro 08, 2010

MANUFARTURA (cel bentin)

A escuridão a pronuncia de silêncios
na raiz à palma do chão.

Artesanias ouve.


[poesia prestes a movimento em espetáculo da Cia. Artesãos do Corpo]

Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

DEDO DE MOÇA (cel bentin)

Desculpe a delicadeza
manoel de barros

Entre pimenta e solidão, jazem outras. De provocação.

Fio rubi nos olhos, risco diamante na língua; ardora um agridoce no céu da boca. Velado escuro carmim no hálito fiel à maneira calada e úmida dos desdobramentos.

A água turva sacana, encarnação de pedras sem rua, finge que compadece; e esgarça a saliva das bijouterias.


Domingo, Dezembro 27, 2009

FIAGEM Nº 12 (cel bentin)

Ando em vias de ser compartilhado.
manoel da barros

Nua e longa, sempre trilha.

Discorre, encurva. Faísca coragens e fases, laços e outras temperaturas.

Pavio chamado de luz, desencaminha e ascende, uma a uma, as contas do missal galado e uma ceia de visagens sem a corte dos papéis do calendário e o tempo proibido dos nomes.

Eu escuto só sem poder tocá-la o absurdo desse alumbramento.

(O carrretel de todo mundo existe por volta dessa corda e mal a sabe, eu sei.)

E sinto. Muito.




[que 2010 e os tempos aléns guardem, envolta ao pulso dos dias, essa nº 12 como a fiiada primeira, trameada pelo desejo e atenção aos dias cotidianos.
Obs. A missão é avulsa, mas a celebração cabe compartilhada: boas festas e muitótimas surpresas a todos! Inté!]

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

PRENDA DOS PORTOS (cel bentin)

Desde que batizou o bar, ela vive a exibir contornos de companhia na arte do próprio leito, o das águas e taças, ardentes.

Da parede, as mãos de sua gravura úmida provocam um feitiço azul. Um céu manuscrito a desapertar sonhos à revelia do dia, um anseio com força de mar a escorrer num gume destemperado, calado, e doce; silêncio que transcreve sem pedir cor ou perder volume - transparece sem calar mistério, exprime corte sem arriscar o burburinho da voz.

Mais a memória - do meu desejo e da maré bêbada dos tempos - não permite lhes dar. Mas foi assim, ao lado dela, que minha alvorada dançou: feito pedra de gás em um ilusório malabares de lendas; noite-corrente entre o dorso das mãos de Iemanjá e o canto no verso dos olhos, duma sereia.

Sábado, Outubro 03, 2009

MEMORIAL NA VELA (cel bentin)

Viu o desenho azul de uma saia:
dançava as vistas além da noite.
Um pavio de tempos sem logos.
Fio dourado chamado. De mim.


Quinta-feira, Outubro 01, 2009

FORNO DOCE (cel bentin)

Sua argila dançava, mergulhada que era e estava,
sentindo bater cordial a alfaia ritmada dos passos:
a artesã da fornada lhe fazia crescer de instantes.

Ouvia sempre um tamborete que não enxergava,
o imaginava na cadência de seus olhos velados
bem além da barriga e da cabeça pequeninas
de curiosidade avulsa e querências gigantes:

"A casa-grande pensa que sou é dela,
mas pensa que é toda feita para mim;
ah! vou te fazer é surpresa e tempero...

Repara você que me ouve a voz
(que ainda não falo nem tenho):
a doçura revelada vem antes do olhar,
antecede mesmo o desejo de paladar.

O plantio da doçura é de favo concebido,
cultivado e apreendido em gesto e leito
inédito do mistério paciente dos vinhos.

E é assim que saliva toda beleza!"

- É então que o pequeno pontarrocamboleia o umbigo,
acenando ato de milagre miúdo longe de ser mirrado. -

Ouve-se um sorriso declarando da cozinha
notícia de um puxa-puxa acalorado no dente:

"Querido! Nosso brigadeirozin mexeu!"


NELA (cel bentin)



Vou transcrever como minha boca aperta quando penso.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

REPARO HORIZONTAL (cel bentin)



Dom real de horizonte há mesmo
num arco ancestral de armadilha:
a da primária ossatura feminina.

Pode reparar, homem de pouca fé:

Sempre que se funde ou descobre
o ato de se alcançar o firmamento,
há um esforço uno e contundente
num conluio delicioso das costelas.

(Pois muito melhor o dirigem,
bem mais além do apocalipse,
as maçãs da costela de adão.)

ARRIMO (cel bentin)



Ao despertar, a carência em si nua:
minha pele persegue tuas encostas;
arrimo de sonho em noite embalada.



foto vinda do site ricardo.senna.blog.uol.com.br/poemas/

Domingo, Setembro 20, 2009

PELE DE CORDEIRO (cel bentin)


Irreconhecível ovelha negra. Agora vivia a descer ao inferno das lãs para arriscar espiação de tempos em tempos, sempre louco para encontrar (a malharia crua).
Jurava: embolaria todo de graça nela.

CHEIA DA CACIMBA ABERTA (cel bentin)


O mundo das águas nos olhos: olhar de leitor, feito a palma da mão sobre a pele de barro: gosto se lançando apetite, sede e cheia na experiência de quem, só, ressoa.

foto (Museu da Língua Portuguesa): : www.adriana.fot.br